quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Por 15 '




Não houve jeito para Catarina, ela teve que procurar um lugar pra estravazar aquela tal ansiedade-necessidade, comum de todos, daquelas que ninguém sente pelo outro, metabólitos que o organismo não controla.Calma!Pelo menos até chegar em casa...Ai, esse ônibus que não vem....

Entrou no mais próximo que o guarda da estação tinha indicado, como se estivesse andando num vestido número trinta e quatro. Era uma visão horrível, suja, imunda, parecia metade do cenário dos filmes do Charles Bronson. Tomou coragem, preparou seu nariz psicologicamente, encheu as mãos de papel e se preparou para o rápido exercício que só as mulheres entendem...,...,...,que alívio...

"Alívio Imediato", leu na parede concordando com a cabeça, isso era o trecho de uma música, não? Curioso..., ah melhor não viajar, vai embora daqui!

"Jô Soares é gay"; "4431-5597, me liga" ; " Fe+ Carol"; "2231-4492, se você curte mulher liga pra mim, mas só se você curte, hein?" , lia nas portas e nas paredes pixadas, de repente, foi envolvida por suas gargalhadas, "O que será que essa doida tá fazendo lá dentro?", talvez pensasse a mulher que passava por ali... "Maconha, legalize já"; "Só o senhor salva"; "Vai dar o cu", "Eu amo o Gustavo"; " Pri, sua vaca"; foi seguindo com corpo e olhos aquele mural , com frases colegiais, letras horríveis, outras nem tanto, alguns recados, trechos de músicas, piches, xingos, declarações, nada se contava naquela marginalidade de palavras... "De tudo ao meu amor serei atento"... Ah! Vini, até você por aqui?!

Parou por um instante, abriu sua bolsa e sem pensar em algum preceito moral que a impedisse, pegou a caneta bastão vermelha e escreveu, abaixo da frase do Moraes, cujo espaço era razoável, a primeira frase colada no cérebro, de um livro que tinha acabado de ler, "Nascemos com um programa inviável, que é atender aos nossos instintos, mas o mundo não permite."- Froide, assim, errado, fez questão de escrever. Aquela era sua marca. Essa era sua deixa.

Guardou a caneta, e antes de fechar a bolsa, pegou seu sabonete líquido, lavou bem suas mãos e as limpou com seus lenços perfumados - uma lady. Colocou seus óculos escuros e voltou para as ruas, aquelas que não a permitia também.

sábado, 19 de setembro de 2009

Paciência Hereditária

- Nome Completo, por favor...? - diz a bem-comida oxigenada da recepção...

- Kelly.

- Com Q?

- Não, com K.

-... dois ll's?

- Sim, e y...

- Ah tá, já ia escrevendo com i. Então, Kelly...

-Cristina Nepomucena.

- Nepo... o quê?

- NE-PO-MU-CE-NA.

- Neponucena...?

- Não. - disse a mocinha, fazendo um sorriso desesperador.

- Ah, entendi. É com dois ss's ou ç? - Ela foi uma gazela na vida passada...

- É com c.

- Com c, um só? - Ela só pode tá de sacanagem...

- É. - Ah, saquinho...

- Ok, acho que agora acertei, é Nepomucena?

- Isso, finalmente!- Finalmente vou poder subir e não aturar mais esse belo alfabeto...

- Nossa! É de que origem? Portuguesa?

- Não. É Romeno. - Talvez, seu cérebro seja de origem portuguesa...

- Nossa, que diferente...

- É, né? Tô com um pouquinho de pressa, mas obrigada pela super atenção. - Vai se fu...

- De nada, moça.

Valei-me Nossa Senhora da Paciência Perdida de Todos os sobrenomes difíceis, que padecem na dificuldade!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Metáfase Cósmica


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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Brisando num Tesão de Blues

Tenho ido a alguns botequinhos, de vez em quando, normais... Ontem fui em um que também tem a mesma característica dos outros - mesas, bebidas, tiozinhos brisados, um ar de kiss fm pairando, caras simpaticos, cada um na sua, narigudinhas estilosas, filosofias de boteco, bons papos - exceto a banda, ela não era ruim como umas dos botecos da vida, que meus ouvidos já sentiram a acidez de escutar...



Um amigo vivia me chamando, todas as terças, pra ver a banda "Saco de Ratos", do tal dramaturgo Mario Bortolloto, que até então só conhecia por nome. Mas sempre acontecia um porém, parecia coisa do capeta!!!(risos). O nome é de banda punk, mas é blues,um tesão de blues(ui, risos), vale a pena ver os solos das músicas e a excentricidade das letras.



O desenho é de um cara que faz parte da minha listinha de amores literários thuque-thuques: Lourenço Mutarelli.

Adendo: valeu de coração pelos comentários, críticas, opiniões aqui no meu deleite infecundo. Depois dos estudos e escritos ocultos no dia, mais os pseudosestágios, o blog não faz efeito no final do dia, mas tentarei postar toda semana, pelo menos umas duas vezes - coragem, Kelly Christi!

Final de terça-feira com a cara fodida; quarta-feira feliz. É sempre bom ir pro Bixiga, o resto faz parte da boemia...

Bjitos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pronome Feminino-Eu




Ela não queria ser Lígia; nem se pintar como Marina; nem calar a boca como Bárbara; nem se rodopiar ao som dos ridículos, tediantes e desafinados Bandolins; nem cicatrizar suas feridas como Fátima; nem uma mulher, ao espelho, se martirizando pelo o que não foi, de fato; nem Pagu, por mais que a admirasse; nem Briget Jones, mesmo tendo um lado dela; nem Mary Jane; nem Angie; nem Maria; nem Camila; nem música; nem Diva; nunca foi idolatra, mas já quis ser Clarices, na busca do seu coração selvagem,ou aquela que sangrava os seus tornozelos; desistiu de todas elas enquanto apreciava o seu remedinho amargo; pois, entre o oculto dos seus segredos mais sujos e encantatórios, tentava encontrar em seus abismos o próprio contraste; descompreendido pelo mundo, impunemente.

"In the city of blinding lights..."